sobre o coletivo casadalapa

O trabalho do coletivo casadalapa – constituído por artistas visuais, designers, fotógrafos, cineastas, videoartistas, grafiteiros, cenógrafos, ativistas, educadores, psicólogos, Djs, Vjs, produtores culturais e cinematográficos independentes – possuem em comum o caráter de se constituírem como ações colaborativas, entendendo o processo artístico como um processo de doação entre seus sujeitos e a sociedade.

O coletivo que comemorou dez anos de atividade em dezembro 2015 tendo realizado exposições, filmes, livros, intervenções urbanas, humanas e muito mais. O projeto CASA RODANTE no bairro da Luz, MIXTO QUENTE e LEOPOLDINAS na Lapa, CASA LATINA com os imigrantes bolivianos na feira da Praça Kantuta, ENQUADRO 1, 2, 3 e 4 com uma escola de Samba na mais remota periferia paulistana em São Miguel Paulista são apenas alguns exemplos do trabalho decenal do coletivo em diminuir o estranhamento e acentuar práticas colaborativas desafiando a territorialização da identidade convencional com uma compreensão plural, inclusiva e polifônica pelo sujeito periférico e de promover práticas de conscientização dele como parte única e integrante da sociedade.

Com base em modelos tangíveis de sociabilidade, os artistas do coletivo buscam reorientar sua pratica, sem abdicar da expertise técnica individual de cada um e do corpo coletivo, criando um dialogo em espaços urbanos, refletindo e questionando a convivência entre espectador e a cidade. Não “artistas descaradamente políticos” mas artistas que fazem um trabalho “artístico politicamente” e independente, onde esta “arte” existe para cumprir uma de suas funções principais, aquela de desestabilizar e criticar as formas convencionais de hegemonias econômicas, culturais, politicas e elitistas que tradicionalmente imperam no Brasil.

O efeito da prática colaborativa tanto territorial quanto processual, assim como o aspecto da organicidade que compõe os trabalhos destes artistas são elementos que refletem sobre as questões ao redor, que se converte de uma forma cada vez mais madura sobre o caráter interdisciplinar da arte, isto é, perceber o fenômeno artístico não apenas como um objeto estético mas fundamentalmente como um estimulo que gera a autorreflexão, empoderamento e conscientização sobre o estado das coisas  no mundo, no Brasil, na sociedade em geral.

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